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Quando o som vira território de escuta e encontro

27 ABRIL 2026 | Texto: EMILIA MIYAZAKI | Foto: DIVULGAÇÃO

Quando o som vira território de escuta e encontro

Festival circulasons chega à 6ª edição propondo uma imersão nas sonoridades dos povos originários, da natureza e das cidades, ampliando a forma de ouvir e perceber o mundo
 
Londrina se prepara para receber a 6ª edição do Festival circulasons – Escuta! Música e Ecologia Sonora, que acontece de 1º a 10 de maio. O evento convida o público a mergulhar nas tradições culturais dos povos originários, nas sonoridades das florestas, nos sons da natureza e também nos ambientes urbanos.
 
Com uma programação intensa que inclui shows, concerto, exposições, oficinas, rodas de conversa, mostra de cinema, mostra radiofônica e Espaço de Escuta, o festival se consolida como um espaço inovador de expressão e circulação artística. A proposta é estimular novas formas de relação entre som, pessoas e territórios, incentivando o público a romper hábitos de escuta e perceber com mais atenção os sons do cotidiano.
 
Idealizadora e curadora do circulasons, Janete El Haouli define o festival como uma proposta voltada a “ouvidos pensantes”, capaz de ampliar a percepção sobre diferentes musicalidades. “O circulasons é, antes de tudo, uma proposta artístico-cultural-educativa que valoriza a experimentação, a diversidade e a pesquisa sonora. O som é pensado como um campo expandido, que se conecta com o conhecimento e com a forma como nos relacionamos com o mundo”, afirma.
 
Destaques musicais
Três apresentações musicais ganham destaque na programação. No dia 2 de maio, a cantora indígena Djuena Tikuna sobe ao palco do Teatro Ouro Verde, acompanhada por Diego Janatã, em um show que celebra os cantos do povo Tikuna, do Alto Solimões, na região amazônica.
 
No dia 3, é a vez de Marlui Miranda, referência na pesquisa da música indígena no Brasil, se apresentar ao lado de músicos virtuosos como Paulo Bellinati, Rodolfo Stroeter, Caíto Marcondes e Ricardo Mosca.
 
Encerrando o festival, no dia 10 de maio, o pianista Fabio Caramuru apresenta um concerto intimista que reúne obras de Tom Jobim e composições do projeto EcoMúsica.
 
Programação ampliada
Além dos shows, o circulasons promove atividades formativas com as oficinas “Caminhos para Alcançar a Música Indígena no Brasil”, com Marlui Miranda e Magda Pucci, e “Des-habitar escutas”, com Valéria Bonafé.
 
As exposições também integram a programação. No saguão do Teatro Ouro Verde, o público poderá visitar “Nhe’?”, com fotografias de artistas indígenas do Paraná. Já no Sesc Cadeião, a mostra “Memórias Silenciadas”, realizada em parceria com o Museu do Café, propõe reflexões sobre história e apagamentos culturais.
O Sesc também contará com o Espaço de Escuta com a obra radiofônica “Kayapó: o choro do Chefe Raoni”, do compositor alemão Robin Minard, em versão em português desenvolvida por Janete El Haouli com colaboração de José Augusto Mannis.
 
As rodas de conversa abordam temas como a resistência cultural dos povos Kaingang e Guarani, a preservação de memórias, os caminhos do grupo Mawaca e discussões sobre ecologia sonora, saúde e percepção sensorial.
A programação inclui ainda a exibição de filmes e documentários, além da reapresentação do “Programa de Índio”, apresentado por Airton Krenak e outras lideranças indígenas, exibido de 1 a 10 de maio pelas ondas da Rádio UEL FM.
 
Escuta como experiência e reflexão
Evidenciando as vozes dos povos originários do Brasil, a proposta desta edição do circulasons vai além do ouvir. “Escutar é acessar camadas invisíveis. O público é convidado não apenas a assistir, mas a vivenciar as experiências sonoras”, destaca Janete.
 
A relação da curadora com a Ecologia Sonora começou nos anos 1980, a partir do contato com as pesquisas do educador canadense Murray Schafer. Desde então, sua percepção sobre o som se ampliou. “Passei a escutar o ambiente de outra forma, percebendo sons que antes passavam despercebidos”, relembra.
 
Essa abordagem também marcou sua trajetória como professora na UEL e criadora do programa “Música Nova: rádio para ouvidos pensantes”, exibido entre 1991 e 2005. Para Janete, a escuta é um exercício que amplia a imaginação e a sensibilidade. “Ouvir diferentes músicas e sons fortalece a criatividade e transforma nossa forma de perceber o mundo”, afirma.
 
A curadoria desta edição foi construída novamente em parceria com o produtor Fabrício Polido, que a acompanha desde 2022. Juntos, desenvolveram uma programação que integra diferentes linguagens e propõe uma verdadeira ecologia de práticas artísticas, em que o som atua como elemento de memória, resistência e criação coletiva.
 
“O público pode esperar dias intensos, com encontros, trocas e experiências profundas. Cada artista traz consigo um universo próprio, e é nesse encontro entre diferentes mundos que o circulasons acontece”, conclui Janete.
 
O 6º Festival circulasons – Escuta! Música e Ecologia Sonora será realizado de 1 a 10 de maio. Idealização, curadoria e produção: Janete El Haouli, Coordenação de projeto e produção Fabrício Polido.
Patrocínio: Prefeitura de Londrina – Secretaria Municipal de Cultura, Unimed, Sisprime, Pennacchi, Amadeus, Bravino. Apoio: Casa de Cultura da UEL e Divisão de Artes Cênicas, Rádio UEL FM, CUIA-UEL, Sesc Cadeião Cultural, Museu do Café, Restaurante Caco, Joia & Cozinha e Boemia, Restaurante Dá Licença, Hotel Crystal, Ibrahim Gastronomia, Olga - A livraria da cidade, Rede de Amigos e Apoiadores do circulasons, Folha de Londrina, Midiograf, Visualitá.
 
Realização: Associação da Aliança Francesa de Londrina e TOCA arte ação criação.
 

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